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Por: Claudia
Segurança digital não é privilégio de empresa com departamento próprio de TI. Existem medidas de proteção que cabem no orçamento de pequenas e médias empresas, reduzem de forma significativa o risco de incidentes e não exigem uma infraestrutura complexa para serem implementadas. O desafio é saber por onde começar e o que priorizar com os recursos disponíveis.
As sete medidas descritas aqui foram selecionadas pelo critério de custo-benefício: alto impacto na redução de riscos, baixo custo de implementação e compatibilidade com ambientes que não possuem uma equipe de segurança dedicada. Aplicadas em conjunto, elas cobrem a maioria dos vetores de ataque que afetam empresas brasileiras de pequeno e médio porte.
Uma pequena empresa é alvo frequente de ataques cibernéticos por uma razão objetiva: possui dados de valor, como informações financeiras de clientes, e geralmente conta com menos proteção do que uma empresa grande. Um atacante que automatiza a busca por sistemas vulneráveis não faz distinção pelo porte da organização. Ele procura uma forma de acesso, e o tamanho da empresa importa apenas na hora de estimar quanto a vítima poderá pagar pelo resgate dos dados.
Sessenta por cento dos pequenos negócios que sofrem um ataque cibernético grave fecham dentro de seis meses, segundo estudos sobre o impacto de incidentes em empresas de pequeno porte. Esse número não está relacionado apenas à falta de resiliência, mas também aos custos de recuperação dos dados, da reputação e da operação, que muitas empresas não conseguem absorver sem o caixa necessário.
A boa notícia é que a maior parte dos ataques contra pequenas empresas utiliza técnicas conhecidas e explora falhas que possuem soluções documentadas. Não é necessário investir em tecnologia proprietária. É preciso configurar corretamente os recursos que já existem, oferecer treinamento básico para a equipe e estabelecer procedimentos simples de backup e recuperação, testados periodicamente.
Quando os recursos são limitados, a ordem de prioridade em segurança deve seguir o impacto potencial de cada medida. Primeiro, deve-se impedir o acesso não autorizado. Depois, detectar os acessos que conseguiram passar pelas barreiras. Por último, é necessário garantir a recuperação do que foi afetado. Autenticação forte, monitoramento básico e backup verificado são três pilares que cabem em qualquer orçamento de segurança.
Contar com um Especialista em Cyber Security para definir a prioridade correta de acordo com o perfil específico da empresa evita um dos erros mais comuns: investir no que parece importante sem verificar se é realmente o que o perfil de risco da organização exige. O diagnóstico profissional identifica o que está exposto e o que deve ser corrigido primeiro para proporcionar a maior redução de risco com o menor investimento.
Entre as medidas de alto impacto e baixo custo estão a autenticação de dois fatores em todos os sistemas críticos, a política de senhas com complexidade mínima definida, as atualizações frequentes do sistema operacional e dos softwares e o backup armazenado em um local fisicamente separado do servidor principal. Essas quatro medidas eliminam grande parte dos vetores de ataque conhecidos.
Uma ferramenta de segurança cara que ninguém monitora é menos eficiente do que uma ferramenta simples acompanhada diariamente. Um alerta que fica sem resposta por 48 horas oferece ao atacante o mesmo período de acesso não detectado. Um registro que ninguém analisou documenta a entrada, mas não impede que o ataque continue. A tecnologia protege quando existe um processo definido e uma pessoa responsável por agir diante das informações apresentadas.
Entre os monitoramentos básicos que qualquer empresa pode implementar estão os alertas de login realizados fora do horário habitual do colaborador, as notificações de acesso provenientes de localizações geográficas incomuns e o registro de tentativas de acesso com senha incorreta acima de um limite definido. Esses três alertas podem ser configurados no sistema de autenticação existente e exigem principalmente atenção e configuração, não a contratação de uma nova licença.
A revisão semanal dos registros de acesso por uma pessoa responsável é um dos procedimentos mais simples de monitoramento que uma empresa pode adotar. Quinze minutos por semana podem identificar comportamentos anormais que o sistema não sinalizou automaticamente. Essa revisão manual complementa a automação e reduz o tempo médio de detecção de acessos não autorizados.
Um backup que nunca foi testado representa uma esperança, não uma garantia. Algumas empresas realizam backups durante anos e descobrem somente no momento de um ataque que os arquivos estão corrompidos ou que o processo de restauração demora três vezes mais do que o previsto. Esse cenário acontece com frequência e possui uma solução simples: testar o processo de recuperação antes que seja necessário utilizá-lo em uma situação real.
O plano de recuperação precisa responder a três perguntas antes de qualquer incidente: em quanto tempo os sistemas críticos voltarão a funcionar depois de um ataque de ransomware que criptografe todos os dados? Qual é o último ponto seguro que poderá ser restaurado sem provocar uma perda operacional inaceitável? Quem será o responsável por executar o processo de recuperação e quem poderá substituí-lo?
Uma simulação anual de recuperação é um dos investimentos de tempo mais econômicos que uma empresa pode fazer em segurança. O procedimento leva algumas horas, revela as falhas do plano enquanto o ambiente ainda está funcionando e confirma se o backup está realmente disponível para recuperação. Os problemas encontrados durante essa simulação são muito mais baratos de corrigir antes de um ataque do que durante uma situação de emergência.
As medidas de proteção apresentadas cabem em diferentes orçamentos porque dependem mais de processos bem definidos do que de tecnologias caras. Autenticação forte, prioridades estabelecidas por meio de um diagnóstico profissional, monitoramento básico e um plano de recuperação testado formam um conjunto capaz de cobrir os vetores de ataque mais comuns e mais prejudiciais para empresas brasileiras de pequeno e médio porte que ainda não investiram em segurança de maneira estruturada.
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