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Por: Jorge Torrez
Redator 4 Mãos
Em outubro de 2025, 15 947 drones iluminaram o céu de Liuyang, na China, num espetáculo que bateu um novo recorde do Guinness, segundo a agência Xinhua. Há poucos anos, um espetáculo assim seria ficção científica. Hoje é um item na folha de produção. A robótica já não vive só no palco. Está na segurança, na limpeza e até no balcão do bar. Vale a pena ver o que funciona, quanto custa e onde as pessoas continuam a ser insubstituíveis.
Os números de 2025 mostram a velocidade da evolução. Em 17 de junho, Chongqing juntou 11 787 drones numa imagem aérea certificada pelo Guinness. Em julho, Shenzhen subiu para 11 908. Três meses depois, Liuyang passou os 15 947.
Nos festivais, a escala é menor, mas a lógica é a mesma. No encerramento do Rock in Rio 2026, no Rio de Janeiro, 1 500 drones voaram a cerca de 300 metros de altitude, numa faixa de até 400 metros de largura. O DJ Alok integrou-os com 45 bailarinos e o palco de LED.
Um drone de espetáculo não é só um efeito bonito. Precisa de um centro de controlo aéreo que vigie aeronaves não autorizadas, e é por isso que a organização trata o espaço aéreo como parte da segurança.
Um dia de festival tem muito tempo morto: filas para a entrada, esperas entre atuações, o regresso ao parque de campismo. Muita gente passa essas pausas no telemóvel, e uma parte joga online. Se esse for o teu caso, convém olhar para as regras antes do entretenimento, como se faz com qualquer produto digital.
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Há duas ressalvas. A licença vem de Anjouan, nas Comores, por isso confirma se o operador está autorizado no teu país antes de te registares. E o jogo é entretenimento, não rendimento: define um limite de depósito e joga só se tiveres idade legal.
Quando a música recomeça, a atenção volta ao recinto, onde a tecnologia mais importante é a que o público quase nunca vê: a da segurança.
A novidade mais comentada da edição brasileira foi o Yellow Pro, um robô humanoide de 1,45 metros e cerca de 35 quilos. Anda até 7,2 km/h, tem até 43 motores e usa LiDAR 3D e câmaras de profundidade para mapear o espaço em 360 graus. Já tinha passado pelo Rock in Rio Lisboa em 2026 antes de seguir para o Brasil.
Não substitui ninguém. Circula em rotas controladas, sob supervisão humana contínua, ao lado de mais de 2 000 profissionais de segurança. Faz parte de um sistema com 117 câmaras (40 delas com inteligência artificial), quatro drones, radares e dois cães de guarda.
No total, o policiamento do festival envolveu 7 680 agentes. As autoridades anunciaram ainda o primeiro uso de câmaras com reconhecimento facial no evento, o que abre uma discussão legítima sobre privacidade num espaço com mais de 700 000 visitantes previstos.
Num festival grande, a robótica não é uma coisa só: cada máquina resolve um problema diferente e tem os seus próprios limites. Reunimos na tabela os cinco tipos mais comuns, com a função de cada um, um número concreto retirado dos casos acima e a restrição que os organizadores têm de ter em conta. Assim fica mais fácil perceber onde o investimento compensa e onde ainda é só demonstração.
Em resumo, os robôs funcionam melhor onde a tarefa é repetitiva e o espaço é controlado. Os drones de vigilância são um bom exemplo: com imagem térmica, localizam pessoas no escuro e detetam filas e estrangulamentos de público em tempo real. Mesmo assim, nenhum dos casos acima dispensa uma equipa humana por perto.
Os números do setor, reunidos pelo guia da Ticket Fairy, são menos entusiasmados do que o marketing. Um bar robotizado serve 60–90 bebidas por hora, o que é comparável a um barman experiente. Num teste de pico, os robôs fizeram em média 14,2 bebidas em 15 minutos, contra 15,6 das equipas humanas.
O problema aparece no resto da experiência. Quem foi servido por robôs deu 2,9 em 5 ao bar, enquanto os bares com pessoal tiveram 4,4. O público elogiou a rapidez, mas sentiu falta do contacto. Eis o que pesa na decisão de um organizador:
Nos robôs de limpeza, uma pessoa pode gerir 3–4 máquinas, sobretudo de noite e em pisos duros. Num campo com lama ou pó, os sensores falham e precisam de limpeza duas vezes por dia.
Em Portugal, a tecnologia também chegou ao recinto, mas com um tom mais pedagógico. Entre 20 e 28 de junho de 2026, a Universidade de Lisboa montou no Rock in Rio Lisboa o espaço Smart City of Rock, com demonstrações de robótica autónoma, realidade virtual e aumentada e análise de movimento humano em tempo real.
Duas startups ligadas à universidade, a Trash4Goods e a Windcredible, testaram protótipos com o público. É um bom exemplo de como um festival serve de campo de ensaio: milhares de pessoas, condições reais e feedback imediato.
A robótica nos festivais está a deixar de ser novidade e a tornar-se infraestrutura. Os drones já provaram que escalam, a segurança híbrida começa a ser norma e a automação nos bares ainda perde para as pessoas na parte que importa: o atendimento.
O próximo passo é menos espetacular e mais útil. Limpeza noturna, vigilância do perímetro e contagem de público são tarefas repetitivas em que uma máquina rende bem, como mostram os 3–4 robôs de limpeza por operador. Já o atendimento no bar e a decisão numa emergência continuam a depender de pessoas, e o público nota a diferença, como indicam os 2,9 contra 4,4 em 5. Os festivais que acertarem neste equilíbrio vão usar a tecnologia para libertar as equipas, não para as substituir.
Redator na empresa 4 mãos, fornecendo informações valiosas, análises profundas e orientações práticas direcionadas a um público diversificado, composto por empreendedores, empresários e entusiastas da tecnologia, contribuindo para a expansão do site 4 mãos.
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