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Por: Jorge Torrez
Redator 4 Mãos
Os pagamentos digitais deixaram de representar apenas uma alternativa ao dinheiro físico e passaram a fazer parte da infraestrutura financeira de diversos países. Sistemas capazes de transferir recursos em poucos segundos, disponíveis a qualquer hora e com custos reduzidos, mudaram a relação de consumidores e empresas com bancos e instituições financeiras. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a possibilidade de ampliar a conexão entre sistemas de diferentes países.
Essa transformação é especialmente relevante nos mercados emergentes, onde a expansão dos pagamentos instantâneos tem ajudado a reduzir custos, estimular a concorrência e ampliar o acesso aos serviços financeiros. À medida que essas plataformas amadurecem dentro de seus próprios países, a interoperabilidade internacional surge como um caminho para tornar também as transferências entre fronteiras mais rápidas e eficientes.
A expansão desses sistemas ocorreu rapidamente nos últimos anos. Segundo o Banco Mundial, pessoas e empresas em 137 países já tinham acesso a serviços de pagamentos instantâneos em junho de 2026. A instituição destaca que interoperabilidade, participação de bancos e empresas não bancárias e novos serviços associados às plataformas estão entre os fatores que impulsionam seu desenvolvimento.
Na América Latina e no Caribe, essa transformação é particularmente visível. O volume de pagamentos instantâneos passou de 620 milhões de transações em 2017 para 79,8 bilhões em 2024. Naquele ano, eles já representavam 45% do volume de pagamentos digitais da região. Brasil, Argentina e Costa Rica aparecem entre os mercados de maior adoção.
No Brasil, o Pix se tornou o principal exemplo dessa mudança. Criado pelo Banco Central em 2020, o sistema ganhou espaço tanto nas transferências entre pessoas quanto nos pagamentos realizados a empresas.
Somente em 2025, foram registradas quase 80 bilhões de transações pelo Pix, movimentando mais de R$ 35 trilhões. Cerca de 43% das operações estavam relacionadas a pagamentos de consumidores para empresas, mostrando que a ferramenta deixou de ser utilizada apenas para transferências pessoais e passou a integrar de forma significativa as relações comerciais.
O avanço do sistema também abriu espaço para discutir seu próximo passo. Em agosto, o Banco Central indicou maior interesse em estudar formas de conectar o Pix a plataformas estrangeiras. O objetivo seria facilitar pagamentos internacionais, reduzindo custos, aumentando a velocidade das operações e oferecendo maior transparência nas transferências entre países.
Transferências internacionais ainda podem envolver diferentes intermediários, tarifas e prazos maiores do que aqueles aos quais os usuários de sistemas instantâneos domésticos se acostumaram. A integração entre infraestruturas nacionais pode ajudar a reduzir parte dessas dificuldades.
Para consumidores, isso pode tornar mais simples o envio e recebimento de recursos entre países. Para empresas, especialmente aquelas envolvidas com comércio eletrônico, prestação internacional de serviços ou operações com fornecedores estrangeiros, a adoção de novas formas de pagamento pode facilitar a gestão financeira. e reduzir custos de transação.
A interoperabilidade, porém, exige mais do que compatibilidade tecnológica. Diferentes países possuem regras próprias para identificação dos usuários, segurança, prevenção a fraudes, câmbio e supervisão das instituições financeiras. Conectar sistemas significa também criar mecanismos capazes de lidar com essas diferenças.
O crescimento dos pagamentos instantâneos mostra que a digitalização financeira entrou em uma fase de amadurecimento. Depois de tornar transferências domésticas mais rápidas e acessíveis, o desafio passa a ser ampliar a integração sem comprometer segurança e transparência.
O próprio Banco Central brasileiro já vem atualizando as regras para pagamentos e transferências internacionais, buscando maior alinhamento a padrões globais de segurança e prevenção a ilícitos financeiros. Entre as mudanças está a ampliação das possibilidades de utilização dos serviços de pagamento internacional para determinadas operações financeiras.
A expansão das conexões entre sistemas nacionais ainda depende de acordos, regulamentação e desenvolvimento tecnológico. Entretanto, o caminho já indica uma transformação importante: pagamentos digitais deixam de evoluir apenas dentro das fronteiras de cada país e começam a formar uma infraestrutura financeira mais conectada, capaz de acompanhar uma economia cada vez mais digital e internacional.
Esditor Chefe na empresa 4 mãos, responsável por impactar diversos empreendedores tanto via Blog como também via Canal no Youtube, ajudando empreendedores abrirem e expandirem seus negócios.
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